Archive for February, 2009

algo sobre ratos

February 22, 2009
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It’d do wonders for your social life

February 20, 2009

Depois de pensar no assunto por três tardes, matutando com aquela meticulosidade lenta e voluptuosa que é a recompensa de uma vida tranqüila, Jake reafirmou sua neutralidade. Não contaria ao Miúdo a respeito do Cerra-Dente. E não contaria ao Cerra-Dente a respeito do Miúdo. Decidido isso, voltou a atenção para outros assuntos importantes, como ensinar Fup a voar.

(…)

— Fup, acho que você devia aprender a voar. Faria milagres pela sua vida social. Diabos, talvez você pudesse arranjar um marido, ou pelo menos dar uma escapadinha rápida nas tábuas com algum macho de cabeça cor de esmeralda. Miúdo e eu temos falado em te arranjar um companheiro, mas a verdade é que não tenho nada de cafetão em mim… e, de qualquer maneira, seria um insulto pra tua boa aparência.  

Nas menores oportunidades, Jake gostava de contar a qualquer um que estivesse ao alcance de sua voz os três grandes segredos de como proceder quando não se tem a mais vaga idéia do que se está fazendo. Esses segredos, na ordem em que invariavelmente os listava, eram: intuição, razão e desespero. Sua intuição como instrutor de vôo o persuadiu de que seria melhor simplesmente agarrar Fup, levá-la a um lugar bonito e bem aberto e arremessá-la para o ar. Ela provavelmente se surpreenderia no início, mas o instinto faria com que, sem dúvida alguma, abrisse as asas, e desse ponto em diante ela com certeza captaria a idéia.

February 20, 2009

— Ah, aí vemos alguma esperança — o domesticado se tomando selvagem. Os porcos são muito graciosos. Seus corpos são feitos pra segurar o céu. Eu não me importaria de ser um porco, alguma vez… um velho porco, louco e grande. Seria ótimo. 

Vovô Jake não conseguia tirar isso da cabeça, até que finalmente contou a Miúdo o que achava, isto é, que o Cerra-Dente era o espírito reencarnado de Johnny Sete Luas, e que talvez ele devesse pensar no assunto antes de se fixar demais em matá-lo. 

Miúdo sacudiu a cabeça, inflexível. 

— Simplesmente não é verdade, vovô — replicou, quase implorando. — Quando as pessoas morrem, elas se vão. Se vão. E isso é tudo. 

February 20, 2009

Cerra-Dente, cansado do esforço, tomou seu caminho do riacho até o emaranhado de raízes expostas de sequóias onde gostava de tirar suas sonecas nas tardes quentes. Deu uns poucos grunhidos profundos no caminho, ressoando sua satisfação. Ser perseguido a cada sete dias por um pato enorme e estranho e um menino gigante era um aborrecimento, mas não oferecia muito perigo.

 

DODGE, Jim in Fup, 1984.

Red Tick Beer

February 16, 2009

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‘hmmm, bold, refreshing, and something I can’t quite put my finger on…’

me expulsa, agora que eu to indo embora mesmo OU cyhsy + chairlift na sexta-feira 13.

February 15, 2009

 

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mais uma vez, LP’s de vinil estao a venda no stand. A Howard Gilman Opera House é impressive por fora (n’uma pilha meio museu de historia natural) e por dentro (renascença + sao pedro estaria longe de definir o local, mas eu não consigo fazer melhor). me sentei na 4a. fileira, a um cuspe de distancia do palco (os beneficios de comprar o ingresso com 3 semanas de antecedencia) e fiquei ali admirando o palco montado ate o show comecar, pontualmente as 8pm (ja to me acostumando com isso).

chairlift é apresentada no programa do espetaculo como uma banda formada para “fazer musica ao vivo para casarões assombrados”. Fora o Roland Juno-60 dos CYHSY, os outros 3 sintetizadores no palco são deles. ao lado da bateria tem um micron, sempre um bom sinal, se me perguntares.

haverá uma intermission de 20 minutos entre os dois shows, o tempo exato para ir para a rua (agradavel, a rua. inverno chegando ao fim) tomar uma cerveja com kit kat.

mas antes, chairlift. cara, chairlift REPRESENTA. (observação deslocada – antes de começar o show, o magrão do meu lado tacou o pé no encosto, como se estivesse no cinemark de canoas, e quando eu tava começando a me incomodar com a folga daquele cara, uma lanterninha – eu vou me referir ao staff do BAM como lanterninhas, acostumem-se – chega por tras, de sorrelpa, e pede com voz firme “sir, can you take your feet off the chair, please?” ou seja, isso é quao strict sao os lanterninhas do BAM. 5 segundos de pé no encosto da frente e eles ja tao em cima de ti). voltando. chairlift ao vivo, descobri, é sensacional. o chiaro scuro musical é muito bom. momentos de placidez seguidos por barulheira. baterista coordena. imaginar naçao zumbi + mogwai elevado a portishead com vocal 10 vezes pior*. ainda assim, é excelente. sintetizadores fazendo as cadeiras tremerem, mas tudo perfeitamente audível/distinguível. ótimo som, BAM.

por sinal, como é bom ver um show sentado, de vez em quando.

daí veio CYHSY e, cara, nao tem muito o que dizer. o primeiro disco foi tocado na integra, e desconfio que o segundo tambem. e mais umas 2 ou 3 musicas novas. mesmo assim, pareceu curto. o vocalista, de boné de zé do belo, acha o mesmo. “maybe because we dont talk to the audience in between songs“, disse ele, contraditoriamente conversando com o publico. a outra vez na qual palavras foram dirigidas a nós foi para dizer que “this is our last song, thank you“. a reação imediata foi aquele classico MUCHOCHO geral, ao que ele emendou “well, not really“. dai voltaram para tocar mais SEIS musicas. melhor bis.

menção honrosa para os supracitados lanterninhas do BAM, uma equipe treinada para evitar que qualquer pessoa fotografe, ou pior, grave trechos do show. nenhum sentido, policy mais imbecil, a nao ser que o BAM pretenda lançar um dvd do evento (comprarei). fo’real, esquadrinhavam o publico com a atençao de um guarda de campo de prisioneiros de guerra, e nao foram poucas as vezes em que chegaram junto de um fotografista, chamando no ultimato. nao exageraria em dizer que os lanterninhas do BAM me lembraram MUITO aquela tia do corredor, que nas provas bimestrais ficava prostada num canto da sala, ajudando o professor a evitar a cola.

eliete, o nome dela, se nao me engano. mas tergiverso.

o announcer tambem deixava claro que quem desrespeitasse a regra de nao usar cameras dentro do teatro poderia sofrer penas severas, culminando com a degredaçao do individuo, no ambito do teatro. medo, muito medo. mas pra nao deixar barato, eu tirei umas fotos no final do show, numa pilha meio “me expulsem, agora que eu to indo embora mesmo”, em sinal de protesto. eles ficaram abalados. sai de la satisfeito com minha rebeldia. as fotos ficaram um lixo.

de qualquer modo, quem quiser ver um video bom de um show deles ao vivo pode procurar, nas redes de compartilhamento da vida, por uma apresentaçao em philadelphia, se minha memória não estiver de pilhéria comigo, live at the first unitarian church, ou algo semelhante. baita registro.

 

* – nenhum sentido, eh?

p.s. – obrigado, erica, por me indicar esse show, 2 meses atras. na real, tu me indicou ele por causa da chairlift, e quando eu vi, era chairlift MAIS clap yout hands…, fiquei MUITO faceiro ao descobrir isso. ah, e parabéns pelo aniversário.

bonus – video da musica mais legal do mundo, numa versao empolgada, o que compensa o audio ruim.

Not Just Another Beer Review

February 11, 2009

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brooklyn lager motiva minha existencia.

 

nao adianta, para sempre o gosto da boa cerveja do meu bairro estará associado a shows de rock no mccarren pool park. brooklyn lagers, sonic youth e hamburgueres de peru, el combo fatal. mas tergiverso. e pra voces verem como todos os acontecimentos no universo estao interconectados por um fio invisivel de causas, correlacoes e coincidencias apenas aparentemente acidentais*, foi no mccarren pool park que eu assisti pela primeira vez a um show das vivian girls. a segunda vez foi num show da fucked up no market hotel, aqui do lado de casa, que so serviu para confirmar minha primeira impressao. ate fiz uns videos para provar meu ponto. mas nao os postarei. seria muita ranhetice.

bom, voltando… nao quero resmungar demais da musica alheia, isso pode acabar JINXIN’ minha banda nova, destruindo com meus planos de sucesso mundial e as consequente guinness e fichas de fliperama gratis, mas nao faz NENHUM SENTIDO WHATSOEVER o fato dessa banda estar fazendo tantos shows e abrindo pra tanta gente, por aqui. sempre achei que a CENA novaiorquina fosse mais exigente. alguem me belisca, pois acabei de ler que elas tocarao no coachella em abril, por maome!

sério, banda de colégio. minha teoria: consumo ironico.

mudei de ideia. segue o video. a qualidade do som ta uma bosta, mas isso se deve SOMENTE metade a minha camera, a outra metade é claramente culpa delas, guitarra com o timbre mais cagado que eu ja ouvi na vida.

mas ok, nao quero fazer disso um rant sobre as gurias, elas até sao simpaticas, e um terço da banda é bem nnnngata, devo dizer. mas isso me faz pensar seriamente no estrago que a viana moog ou girlish circa 2003 fariam por aqui, fo’ real.

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1/3 

whatev, eu nem tenho por que estar tao amargo, tendo passado a tarde assistindo o amistoso num sports bar de manhattan, com guinness com desconto, dois italianos, uma bartender e um wii (nao cheguei perto, ja disse que TEMO esse aparelho de satã). “how about the jacket on dunga? he looks warm AND fashionable“, foi um dos primeiros comentarios do galhofeiro narrador. Completamente fora de si, por sinal, o dito cujo. tecendo loas ao Daniel Alves e ao Maicon, aquele corredor de 100 metros rasos travestido de lateral. melhor do mundo, alright.

daí aos 29′ o robinho faz aquele troço sensacional e todo mundo no bar ficou astonished por uns bons 5 minutos, só falando naquilo. até pensei em iniciar a discussao robinho = fraude (verdade absoluta, maldito estuprador), mas nao ousei discordar. nao depois daquele gol, nao naquele momento (percebam, nem importa o modo como ele quebrou a espinha dorsal de dois defensores ao mesmo tempo, mas o maldito malabarista passou o primeiro tempo inteiro marcando a saida de bola como se volante fosse. nunca imaginei um dia presenciar isso – claro que, por ser um amistoso, e por outras razoes que me fogem, a defesa da italia passou o primeiro tempo inteiro dormindo em campo, que nem um bando de FUMETAS num RUFFLES REGGAE do seculo passado. a entregada do pirlo pro gol do robinho foi algo que nunca seria admitido em um jogo valendo alguma coisa. mas mesmo assim foi um gol bonito).

depois eu fui pegar uns troços gratis (obrigado, craigslist), o que me lembrou do meu fracasso total como ser humano**. mas dessa vez deu tudo certo, eu nao mordi mais do que eu podia mastigar. sinal dos tempos.

e esses foram os fatos relevantes do meu dia. agora me escusem que eu tenho muita coisa para ler, inclusive uns ensaios do david foster wallace – consider the lobster – altamente viciantes.

 

* – com isso, quero dizer que deve ser meu DESTINO difamar as Vivian Girls.

** – craigslist tem uma seçao de free stuff. na maior parte do tempo é só roupas de bebe/caixas de papelao/televisoes velhas/hamsters***, mas as vezes aparece um que outro presentinho divino, como o TATAMI MATTRESS que eu pedi DIBS on. ao ir ao SoHo para pegá-lo, porem, o mesmo se mostrou 10 vezes mais pesado e rijo do que eu imaginara. nao querendo dar o braço a torcer, MENTI pra dona do meu futuro elefante branco temporario, dizendo que eu tinha, sim, um meio de transporte adequado para aquele monstro pesado (um bloco de madeira com vime entrelaçado, que ficaria muito bem aqui no meu chao), e nao era apenas um idiota achando que conseguiria carregar aquilo sozinho por dez ou mais quadras, sequer entrar no metro com aquilo. (serio, nenhuma possibilidade de usar o subway carregando um troço do tamanho de uma parede).

enfim, fui bravo, durei 5 quadras carregando awkwardly o bloco de madeira gigante pelas ruas do Soho e Little Italy, trocando de braço de apoio a cada 20 passos, tentando evitar quebrar os dedos ou um eventual enfarte. ate que finalmente cedi ao bom senso e desovei o objeto de minha desgraça, em um lugar digno.

O tatami mattress escorado numa parede, perto das latas de lixo da esquina da bowery com a delancey representa algo. ainda nao descobri o que, mas apos admitir a derrota e solta-lo ali, para ser coletado pelos bravos operarios do sistema de coleta de lixo municipal, tive que ficar uma boa dezena de minutos admirando, do outro lado da rua, o simbolo da minha derrota absoluta. admirando minha derrota e ouvindo mono. foi legal. depois eu comprei um mcfish, que fazia uns 9 anos que eu nao comia.

Ao menos eu aprendi a nunca mais querer fazer o trabalho de duas pessoas e uma minivan. falhei, se nao como ser humano, ao menos como carregador de tatamis. e fica a liçao: nao é porque é gratis que é facil de carregar.

*** – “not to be used for snake”, hahjsfhe. provavelmente sera usado, ma’ am. por que mais alguem iria querer um maldito RATO?!?

 

nota: esse texto nao era para ser uma moção de repúdio as vivian girls. eu so queria mencionar en passant a brooklyn lager e dizer que, apesar de tudo, robinho continua sendo uma fraude, um gol bonito contra uma defesa de zumbis em um amistoso nao engana ninguem. mas acabou se tornando tambem um libelo contra bandas mais ou menos que atingem sucesso desproporcional. mas, enfim, agora ta fora do meu sistema, poderei dormir tranquilamente a noite. mas essas gurias que nao me aparecam abrindo show pro radiohead no brasil, que daí eu desisto do mundo.

Agenda Musical 09 – primeiro semestre (versao incompleta)

February 9, 2009

13.02 – clap your hands say yeah / chairlift @ brooklyn academy of music

27.02 – and you will know us by the trail of dead…  @ williamsburg music hall

18.03 – glasvegas @ williamsburg music hall

09.04 – someone still loves you boris yeltsin @ mercury lounge

15.04 – of montreal @ williamsburg music hall

21.05 – bonnie prince billy @ apollo theater

O.K. Beer – Okocim

February 5, 2009

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Prós:

 

-garrafa de 500ml

-4 garrafas por 5 dolares em um supermercado a 7 quadras de casa.

 

contra:

-nao é nada de mais. trocaria facilmente por uma bavaria premium. cerveja comunzinha, como a maioria das polonesas.

 

nao sei se é pro ou contra:

-brasao representando um bode satanico bebendo cerveja de uma taça gigante

-garota camponesa sem rosto.

 

compraria de novo, se necessario fosse, pois os prós claramente batem os contras. apesar do toque satanico no rotulo. e fica a lição: cerveja polonesa não é cerveja tchecoeslovaca.

 

 

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Red Stripe – Jamaican Lager

February 2, 2009

 

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a lager da terra de jah é bem razoável, no seu papel de cerveja clara. talvez eu esteja ficando cansado de lagers (pois as resenhas nao estao exatamente em ordem cronologica, e eu tenho comprado, predominantemente, lagers. mas isso vai mudar). enfim, a cerveja é jamaicana, talvez fique melhor com certos COMPLEMENTOS ILEGALES,

como nao estou aqui para ser preso, maluco, sigo degustando a berejota ao natural. por sinal, se eu fechar os olhos e abstrair AFU, poderia confundir a jamaicana cerveja com uma quilmes ou budweiser argentina.

bizar. vou ficar tomando cerveja de olhos fechados, agora, imaginando que eu to na única casa de parrilla de rivera que presta, com asados de tira fenomenais e garçons mal-humorados como sói de ser aos garçãos uruguaios, aquela parrilleria a 4 quadras da fronteira, no lado esquerdo da rua principal (sarandi, nao?).

adendum: cervejinha legal, nao é nenhuma STAROPRAMEN, mas serve para acompanhar o FUTEBOL NA TEVE, ao menos.