Not Just Another Beer Review

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brooklyn lager motiva minha existencia.

 

nao adianta, para sempre o gosto da boa cerveja do meu bairro estará associado a shows de rock no mccarren pool park. brooklyn lagers, sonic youth e hamburgueres de peru, el combo fatal. mas tergiverso. e pra voces verem como todos os acontecimentos no universo estao interconectados por um fio invisivel de causas, correlacoes e coincidencias apenas aparentemente acidentais*, foi no mccarren pool park que eu assisti pela primeira vez a um show das vivian girls. a segunda vez foi num show da fucked up no market hotel, aqui do lado de casa, que so serviu para confirmar minha primeira impressao. ate fiz uns videos para provar meu ponto. mas nao os postarei. seria muita ranhetice.

bom, voltando… nao quero resmungar demais da musica alheia, isso pode acabar JINXIN’ minha banda nova, destruindo com meus planos de sucesso mundial e as consequente guinness e fichas de fliperama gratis, mas nao faz NENHUM SENTIDO WHATSOEVER o fato dessa banda estar fazendo tantos shows e abrindo pra tanta gente, por aqui. sempre achei que a CENA novaiorquina fosse mais exigente. alguem me belisca, pois acabei de ler que elas tocarao no coachella em abril, por maome!

sério, banda de colégio. minha teoria: consumo ironico.

mudei de ideia. segue o video. a qualidade do som ta uma bosta, mas isso se deve SOMENTE metade a minha camera, a outra metade é claramente culpa delas, guitarra com o timbre mais cagado que eu ja ouvi na vida.

mas ok, nao quero fazer disso um rant sobre as gurias, elas até sao simpaticas, e um terço da banda é bem nnnngata, devo dizer. mas isso me faz pensar seriamente no estrago que a viana moog ou girlish circa 2003 fariam por aqui, fo’ real.

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1/3 

whatev, eu nem tenho por que estar tao amargo, tendo passado a tarde assistindo o amistoso num sports bar de manhattan, com guinness com desconto, dois italianos, uma bartender e um wii (nao cheguei perto, ja disse que TEMO esse aparelho de satã). “how about the jacket on dunga? he looks warm AND fashionable“, foi um dos primeiros comentarios do galhofeiro narrador. Completamente fora de si, por sinal, o dito cujo. tecendo loas ao Daniel Alves e ao Maicon, aquele corredor de 100 metros rasos travestido de lateral. melhor do mundo, alright.

daí aos 29′ o robinho faz aquele troço sensacional e todo mundo no bar ficou astonished por uns bons 5 minutos, só falando naquilo. até pensei em iniciar a discussao robinho = fraude (verdade absoluta, maldito estuprador), mas nao ousei discordar. nao depois daquele gol, nao naquele momento (percebam, nem importa o modo como ele quebrou a espinha dorsal de dois defensores ao mesmo tempo, mas o maldito malabarista passou o primeiro tempo inteiro marcando a saida de bola como se volante fosse. nunca imaginei um dia presenciar isso – claro que, por ser um amistoso, e por outras razoes que me fogem, a defesa da italia passou o primeiro tempo inteiro dormindo em campo, que nem um bando de FUMETAS num RUFFLES REGGAE do seculo passado. a entregada do pirlo pro gol do robinho foi algo que nunca seria admitido em um jogo valendo alguma coisa. mas mesmo assim foi um gol bonito).

depois eu fui pegar uns troços gratis (obrigado, craigslist), o que me lembrou do meu fracasso total como ser humano**. mas dessa vez deu tudo certo, eu nao mordi mais do que eu podia mastigar. sinal dos tempos.

e esses foram os fatos relevantes do meu dia. agora me escusem que eu tenho muita coisa para ler, inclusive uns ensaios do david foster wallace – consider the lobster – altamente viciantes.

 

* – com isso, quero dizer que deve ser meu DESTINO difamar as Vivian Girls.

** – craigslist tem uma seçao de free stuff. na maior parte do tempo é só roupas de bebe/caixas de papelao/televisoes velhas/hamsters***, mas as vezes aparece um que outro presentinho divino, como o TATAMI MATTRESS que eu pedi DIBS on. ao ir ao SoHo para pegá-lo, porem, o mesmo se mostrou 10 vezes mais pesado e rijo do que eu imaginara. nao querendo dar o braço a torcer, MENTI pra dona do meu futuro elefante branco temporario, dizendo que eu tinha, sim, um meio de transporte adequado para aquele monstro pesado (um bloco de madeira com vime entrelaçado, que ficaria muito bem aqui no meu chao), e nao era apenas um idiota achando que conseguiria carregar aquilo sozinho por dez ou mais quadras, sequer entrar no metro com aquilo. (serio, nenhuma possibilidade de usar o subway carregando um troço do tamanho de uma parede).

enfim, fui bravo, durei 5 quadras carregando awkwardly o bloco de madeira gigante pelas ruas do Soho e Little Italy, trocando de braço de apoio a cada 20 passos, tentando evitar quebrar os dedos ou um eventual enfarte. ate que finalmente cedi ao bom senso e desovei o objeto de minha desgraça, em um lugar digno.

O tatami mattress escorado numa parede, perto das latas de lixo da esquina da bowery com a delancey representa algo. ainda nao descobri o que, mas apos admitir a derrota e solta-lo ali, para ser coletado pelos bravos operarios do sistema de coleta de lixo municipal, tive que ficar uma boa dezena de minutos admirando, do outro lado da rua, o simbolo da minha derrota absoluta. admirando minha derrota e ouvindo mono. foi legal. depois eu comprei um mcfish, que fazia uns 9 anos que eu nao comia.

Ao menos eu aprendi a nunca mais querer fazer o trabalho de duas pessoas e uma minivan. falhei, se nao como ser humano, ao menos como carregador de tatamis. e fica a liçao: nao é porque é gratis que é facil de carregar.

*** – “not to be used for snake”, hahjsfhe. provavelmente sera usado, ma’ am. por que mais alguem iria querer um maldito RATO?!?

 

nota: esse texto nao era para ser uma moção de repúdio as vivian girls. eu so queria mencionar en passant a brooklyn lager e dizer que, apesar de tudo, robinho continua sendo uma fraude, um gol bonito contra uma defesa de zumbis em um amistoso nao engana ninguem. mas acabou se tornando tambem um libelo contra bandas mais ou menos que atingem sucesso desproporcional. mas, enfim, agora ta fora do meu sistema, poderei dormir tranquilamente a noite. mas essas gurias que nao me aparecam abrindo show pro radiohead no brasil, que daí eu desisto do mundo.

5 Responses to “Not Just Another Beer Review”

  1. mir Says:

    hahahah dei boas risadas aqui imaginando a cena do tatame!
    bom o post.

  2. Luciano Pyw Says:

    Deliciosamente atordoantes esse teu texto, como sempre.
    Carregamento de tatames é uma prática complexa. Aprendi isso no meu tempo de judo.

  3. Renan Says:

    Caralho, como é q os cara aguentam a voz dessa vocalista? Q coisa braba. Ninguém tem garrafas de vidro e boa pontaria no Brooklyn??

  4. mateus Says:

    ah, pena. o anuncio dos hamsters foi removido.

    mas dizia basicamente que 3 hamsters, 2 filhotes e um adulto, estavam a disposicao de algum amante de ratos. com a observacao de que nao deveriam ser usados para alimentar cobras, que nem meu roommate faz com SAM, a cobra que ele cria no quarto. a cada 2 semanas, um ratinho branco. SAM da um abraço no ratinho e engole devagar, como boa cobra.

    coisa linda, o show da vida.

  5. Luciano Pill Says:

    Meu Deus! Eu abriria uma Heineken e veria o momento que o ratinho é atacado com a alegria dos bons momentos do carnaval de Santa Clara.

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